terça-feira, 30 de outubro de 2012

Homenagem à mulher emancipada

Ela

A perna semi aberta, a saia um tanto curta. Casada, linda e independente, num restaurante chique, tem resposta para tudo, conversa sobre cinema, hábitos contemporâneos, muitos amigos à mesa. A boca seca esconde a alma úmida, pedindo a presença de alguém entre suas pernas. Sonhado em ser feita apenas objeto, como se numa caverna estivesse, coberta de pelos, e a alma no cio, Sonha com alguém que não a respeite, não pergunte o que ela quer, não a obedeça, não tenha medo dela, diga “não”, faça com que ela sinta sua carência explodir, sua fraqueza lhe definir. Eu a vi, sentada, tentando esconder o suor entre as pernas.

Luiz Felipe Pondé – Contra um Mundo Melhor (Ensaios do Afeto), pag. 103.