domingo, 20 de maio de 2012

Saltos largos ou saltos curtos?

A natureza não dá saltos, dizia Darwin. Postulação tal que, de certo modo, vai de encontro á ideias da seleção natural. Huxley, amigo de Darwin, o alertou dessa contradição dias antes da publicação de “A origem das espécies”. Mas onde se encontra a dita contradição? Ora, a teoria da evolução em momento algum faz referência à quantidade de tempo necessária para o surgimento de mudanças nos organismos, inclusive o que os registros fósseis demonstram são, na verdade, saltos entre diferentes espécies que obviamente possuem proximidades filogenéticas, sendo raras as formas transicionais. Darwin, como grande admirador da geologia, acreditava que as mudanças tanto biológicas como geológicas ocorrem muito lentamente, pela soma de ínfimas alterações que com o tempo geram abismos de diferenças, pensamento filosófico intitulado como gradualismo, pensamento esse defendido no “A origem das espécies”.

Do outro lado, a teoria do equilíbrio pontuado intitulada por Gould e Eldredge, de certa forma se opõe ao gradualismo de Darwin. Ela diz que os organismos são, geralmente, estáveis em um sentido evolutivo, sendo o processo de especiação o principal catalisador de variabilidade desses organismos. Dessa forma, as populações passam um grande período de estabilidade evolutiva, até que ocorra algum fator secundário que irá iniciar um processo de especiação, inicia-se então um período de instabilidade evolutiva pontual e “rápida” (em comparação do gradualismo de Darwin) que culminará no aumento de variabilidade de organismos frente ao surgimento de novas espécies. Posteriormente a estabilidade evolutiva é novamente restaurada e assim se dá o equilíbrio pontuado das espécies.


Como Gould diz, ambos são pensamentos que se completam. Devemos ter em mente que os processos naturais são extremamente complexos. Nossa percepção limitada do mundo nos permite apenas o entendimento em parte daquilo que observamos, portanto, devemos manter sempre uma visão sóbria desses processos evitando ao máximo as limitações de uma visão reducionista, visão essa que me parece muitas vezes ingênua e destoante frente à complexidade dos processos biológicos que nos rondam. Devemos, portanto, ir contra a tendência reducionista que vivemos hoje, o resgate da visão sistêmica é essencial para que a ciência permaneça sendo realista e condizente com o mundo em que vivemos. Às vezes me parece que caminhamos para a ciência dos sonhos, ilusões fantasiosas, existentes apenas em um mundo imaginário molecular e subatômico, delírios quânticos que beiram as linhas do aplicável e do tangível.

Um comentário:

  1. Na verdade isso é um trabalhinho da faculdade, mas como fazia tempo que não postava nada aqui, e acho que o texto ficou razoável, resolvi publicar...

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