terça-feira, 25 de junho de 2013

A finitude nos persegue

“Segundo Luc Ferry, o medo da morte é a gênese de todas as religiões. A grande diferença entre um ateu e um crente talvez seja que os ateus, ao contrário dos crentes, paradoxalmente acreditam na morte.” Por esses dias me deparei com essa frase do Tony Bellotto, que me fez pensar um pouco sobre o assunto.

O medo da morte como fator catalisador para o surgimento e desenvolvimento – e porque não como força manipuladora? – das religiões é algo muito lógico, é uma conclusão que cai de maduro. Esse medo é a força motriz da religião, mas talvez esse seja o papel mais relevante da filosofia teológica na pós-modernidade. Antes, a religião era doadora de moral, tinha um papel importante em mostrar como podemos viver em relativa paz dentro de sociedades complexas, repletas de desigualdades tanto sociais como do pensamento. Com o desenvolvimento do Iluminismo europeu e suas influências na revolução francesa – e o lento engatinhar da democracia – o contexto da moral passa a ser construído de uma forma muito mais descentralizada dentro da sociedade ocidental – europeia principalmente – florescendo como propriedade emergente dos ideais religiosos, burgueses e aristocráticos. Dessa forma, as religiões perderam o monopólio sobre a moral com o passar dos séculos – felizmente. A religião também já foi responsável em explicar a origem metafísica da natureza, do mundo e do universo. Explicações que hoje são da responsabilidade da ciência e da filosofia.

O que sobrou para a religião? Nossa concepção de finitude – vulgo medo da morte. Nenhuma vertente do pensamento permitiu ao homem lidar com a noção da morte como a filosofia teológica. Essa é a influência positiva da religião na sociedade atual. Influência tal sustentada não pela simples negação da morte, como pode parecer pelo texto do Tony Bellotto, e sim por racionalizações diversas – céu, inferno, paraíso com várias virgens e afins. A religião não tenta desacreditar a morte, a religião faz com que o homem esqueça que ela sempre vem.

A fuga dessa ideia - da morte - é, na verdade, algo intrínseco ao ser humano, independente de religião. A noção da finitude é nossa maior agonia, e mesmo os ateus fazem suas racionalizações - muitas vezes mais estúpidas do que aquelas estruturadas na religião - como: "não morremos, apenas voltamos a ser matéria inerte dentro de um ciclo ecológico, de onde provimos" ou qualquer baboseira que fale de energias desconhecidas e inominadas, ou ainda a ideia de que "morrerei em matéria, mas deixarei um legado científico - ou histórico - que me tornará imortal", muito comum nas civilizações pré-cristianismo.

Tanto as racionalizações provindas da religião como aquelas provindas do ateísmo não possuem o propósito de nos enganar sobre a existência ou não da morte - todo o homem sabe a resposta para essa pergunta - proporcionam, na verdade, uma oportunidade de fuga da fria noção de finitude. Noção com a qual nos deparamos a cada esquina.

domingo, 2 de junho de 2013

Fome das cavernas

Nos sábados, eu gosto de acordar - sem ser acordado - razoavelmente cedo, algo como 11 hrs, depois de uma sexta agradável, com cerveja e amigos. Isso depois de ter bebido o suficiente para incentivar conversas boas, sem muito moralismo. 

O suficiente também para me fazer acordar sem ressaca, mas com aquela sensação que temos depois de uma noite inteira processando o álcool usado para afogar conversas chatas. 

A metabolização da mágica substância depende da quebra do nosso glicogênio hepático (nossa principal reserva energética). Essa diminuição de "estoque energético" nos leva a uma situação quase primitiva. Um tempo em que comida – portanto energia – era recurso limitado. 

Essa condição primitiva de depleção glicogênica me coloca num estado de fome muito específico, prazerosamente extinto depois do almoço que faço ao acordar cedo. 

Acho que há 30 mil anos atrás Homo sapiens tinha mais prazer ao comer do que hoje.

A criança gênio zen-budista transcendental por nascença



Essa linda criança têm feito a cabeça de praticamente todos os meus amigos vegetarianos. Resolvi escrever minha leitura do vídeo. 

Na minha visão, esse moleque não é vegetariano. Ele está apenas enrolando a mãe pra não comer.

 Vou ainda mais fundo na hipótese: A mãe dele é dessas "sentimentalistas bobas" que se emocionam com qualquer besteira que o filho faça - como no vídeo, ela chora ao acreditar que o filho é "vegetariano por nascença", talvez ela chegue até a pensar que por tal "amadurecimento precoce", seu filho seja uma espécie de gênio zen-budista transcendental.

Dessa forma, nosso pequeno manipulador, conhecendo o feitio "meio bobo" da mãe, a manipula utilizando aquilo que ela tem mais de mais ingenuo ao seu favor. Comportamento característico de uma forma de vida precoce - mas ainda assim inteligente - constantemente inferiorizada por tal razão. 

As crianças tem uma capacidade quase assustadora de manipular seus pais. Pessoas que, no fundo, são sempre velhos babões e cegos no que diz respeito a seus filhotes.