Seria a adaptação uma tendência
universal das coisas? “acomodação às condições” diz o dicionário. Certamente os
biólogos lendo esta página logo pensaram em evolução, seleção natural e todo o
darwinismo característico dos naturalistas, mas um químico também observa em
seu objeto de trabalho características de adaptação, a tendência ao equilibro
osmótico não seria uma forma de adaptação? A formação de sais ao se misturar
ácidos e bases também não o seriam? Um físico que observa a tendência a estabilidade
de átomos ao formar moléculas, não estaria ele observando algum tipo de
tendência à adaptação? Um (a) psicólogo (a), que observa e analisa uma mudança
de comportamento em seu paciente, não estaria vendo ali adaptações?
Adaptação me remete a pressões de
seleção, então me pergunto: existe algo mais incrível? Tal qual o pincel do
pintor, os esquadros do arquiteto e a espátula do escultor, as pressões de
seleção moldam os organismos a seu bel-prazer. Da mesma forma que Tarsila
pintou abaporu, obra genial e símbolo da antropofagia modernista, o meio modela
os organismos que ali vivem. Exigências atendidas são recompensadas com o
direito a vida, na dura batalha pela sobrevivência. Aqueles que recebem a dádiva
da adaptação resplandecem e simplesmente perpetuam-se, seguindo o único objetivo
da vida: ser aquilo que se é, ser for bom o suficiente, ganha-se por direito a
possibilidade de continuar vivendo, pelo menos em parte (como Genes, leia "O gene egoista"), dentro da linhagem dos adaptados.
Como posso não me extasiar ao observar a forma
como os peixes que trabalho estão adaptados ao seu meio? Sabe aqueles campos,
tão comuns nos pampas, ali se formam poças, ninguém da à mínima para essas
poças, mas ali, tal como perolas, emergem peixes; resultado magnífico:
adaptações comportamentais, morfológicas, fisiológicas e moleculares. Como não
se entusiasmar ao ver a forma como as águas do sul da nova Zelândia e da
antártica exigem, cada local a sua maneira, adaptações diversas de um mesmo
grupo de peixes, uns mantendo suas adaptações á variação térmica e outros perdendo-as.
A adaptação é a tendência natural
das coisas, a procura pelo equilíbrio, mas quando já alcançamos um nível considerável
de adaptação, ou formas de construir adaptações através da inteligência, qual o
próximo objetivo da vida? Acho que o objetivo maior de nossa espécie é
simplesmente a felicidade no contexto que for.
Tambem vejo adaptação no sentido organizacional. A materia sempre tende a isso e a termodinamica conceitua bem.
ResponderExcluirPara quem se interessa por algo do genero e tem paciência de sobra.. sugiro lerem esse trabalho: www.mdpi.com/2075-1729/2/1/1/pdf
http://www.eurekalert.org/pub_releases/2012-01/cwru-rte012612.php aqui um resuminho
Tu sempre chega com esse papper enorme!arranja um menorzinho alemão...
ResponderExcluireu achei que vc fosse comentar a minha contradição quando falo de continuar vivendo em um sentido molecular...
ResponderExcluirSendo a adaptação uma tendência natural das coisas em geral, ela é uma constante.. mudanças ocorrem incessantemente e átomos, moléculas, substâncias, plantas, peixes, humanos,... necessitam se adaptar a elas. Dessa forma, o objetivo de vida estará sempre em função desta adaptação, na tentativa de atingir a acomodação e viver da melhor forma possível. Já os misoneístas, aqueles mais conservadores que temem situações novas, acabam por sucumbir ao processo e aí podemos ver várias espécies extintas, bem como a situação do indígena hoje: devido a escassez da mata a opção destes é ceder à civilização (geralmente, fazendo artesanato pra vender na praia) tornando-se um consumidor adaptado à economia de mercado para comprar seu alimento, (sobre)viver e gerar descendentes.
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