domingo, 25 de março de 2012

Adaptação


Seria a adaptação uma tendência universal das coisas? “acomodação às condições” diz o dicionário. Certamente os biólogos lendo esta página logo pensaram em evolução, seleção natural e todo o darwinismo característico dos naturalistas, mas um químico também observa em seu objeto de trabalho características de adaptação, a tendência ao equilibro osmótico não seria uma forma de adaptação? A formação de sais ao se misturar ácidos e bases também não o seriam? Um físico que observa a tendência a estabilidade de átomos ao formar moléculas, não estaria ele observando algum tipo de tendência à adaptação? Um (a) psicólogo (a), que observa e analisa uma mudança de comportamento em seu paciente, não estaria vendo ali adaptações?

Adaptação me remete a pressões de seleção, então me pergunto: existe algo mais incrível? Tal qual o pincel do pintor, os esquadros do arquiteto e a espátula do escultor, as pressões de seleção moldam os organismos a seu bel-prazer. Da mesma forma que Tarsila pintou abaporu, obra genial e símbolo da antropofagia modernista, o meio modela os organismos que ali vivem. Exigências atendidas são recompensadas com o direito a vida, na dura batalha pela sobrevivência. Aqueles que recebem a dádiva da adaptação resplandecem e simplesmente perpetuam-se, seguindo o único objetivo da vida: ser aquilo que se é, ser for bom o suficiente, ganha-se por direito a possibilidade de continuar vivendo, pelo menos em parte  (como Genes, leia "O gene egoista"),  dentro da linhagem dos adaptados.

 Como posso não me extasiar ao observar a forma como os peixes que trabalho estão adaptados ao seu meio? Sabe aqueles campos, tão comuns nos pampas, ali se formam poças, ninguém da à mínima para essas poças, mas ali, tal como perolas, emergem peixes; resultado magnífico: adaptações comportamentais, morfológicas, fisiológicas e moleculares. Como não se entusiasmar ao ver a forma como as águas do sul da nova Zelândia e da antártica exigem, cada local a sua maneira, adaptações diversas de um mesmo grupo de peixes, uns mantendo suas adaptações á variação térmica e outros perdendo-as. 

A adaptação é a tendência natural das coisas, a procura pelo equilíbrio, mas quando já alcançamos um nível considerável de adaptação, ou formas de construir adaptações através da inteligência, qual o próximo objetivo da vida? Acho que o objetivo maior de nossa espécie é simplesmente a felicidade no contexto que for.

4 comentários:

  1. Tambem vejo adaptação no sentido organizacional. A materia sempre tende a isso e a termodinamica conceitua bem.

    Para quem se interessa por algo do genero e tem paciência de sobra.. sugiro lerem esse trabalho: www.mdpi.com/2075-1729/2/1/1/pdf

    http://www.eurekalert.org/pub_releases/2012-01/cwru-rte012612.php aqui um resuminho

    ResponderExcluir
  2. Tu sempre chega com esse papper enorme!arranja um menorzinho alemão...

    ResponderExcluir
  3. eu achei que vc fosse comentar a minha contradição quando falo de continuar vivendo em um sentido molecular...

    ResponderExcluir
  4. Sendo a adaptação uma tendência natural das coisas em geral, ela é uma constante.. mudanças ocorrem incessantemente e átomos, moléculas, substâncias, plantas, peixes, humanos,... necessitam se adaptar a elas. Dessa forma, o objetivo de vida estará sempre em função desta adaptação, na tentativa de atingir a acomodação e viver da melhor forma possível. Já os misoneístas, aqueles mais conservadores que temem situações novas, acabam por sucumbir ao processo e aí podemos ver várias espécies extintas, bem como a situação do indígena hoje: devido a escassez da mata a opção destes é ceder à civilização (geralmente, fazendo artesanato pra vender na praia) tornando-se um consumidor adaptado à economia de mercado para comprar seu alimento, (sobre)viver e gerar descendentes.

    ResponderExcluir